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12 de janeiro de 2009

Waly Salomão

hoje

o que menos quero pro meu dia
polidez,boas maneiras.

por certo,um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.

quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.

(como toda gente, aliás...)

sobre os babilaques, aqui !

biografia de waly , aqui !





5 de janeiro de 2009

José Carlos Capinam

aprendizagem

"como entre homem e ave sobrevive imagem

busquei em mim, e éramos parecidos


mas, quando edifiquei, achei-me


pois cada espécie está em seu ato.


o homem é um ato homem. o pássaro, um ato pássaro."



na foto: Torquato , Caetano e Capinam.

um pouco mais de Capinam aqui!

Jards Macalé e Paulo José cantam e recitam Torquato Neto



"um poeta não se faz com versos"...

Jards Macalé - Aprender a nadar (1972)

"o faquir da dor"
assim descrito por ele mesmo em um de seus mais brilhantes trabalhos . músico , ator e outras milongas mais .

fez a trilha sonora de Amuleto de Ogum, filme de Nelson Pereira dos Santos, onde foi também ator (o cego do violão). já havia participado da trilha sonora de Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade (1968); de O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha (1968); e de A Rainha Diaba, de Antônio Carlos Fontoura (1970). em 1974 fez a trilha sonora do documentário de Ana Carolina - Getúlio Vargas -, com músicas sobre literatura de cordel. mas foi em 1975, no Amuleto de Ogum, que aprofundou sua interpretação e conheceu a verdadeira emoção de fazer música.



Lado 1
1 - JARDS ANET DA VIDA (JARDS MACALÉ SOBRE TEXTO DE GILBERTO GIL) DOIS CORAÇÕES (HERIVELTO MARTINS - WALDEMAR GOMES)
NO MEIO DO MATO (JARDS MACALÉ)
O FAQUIR DA DOR (JARDS MACALÉ - SOBRE TEXTO DE WALLY SAILORMOON)
2 - RUA REAL GRANDEZA (JARDS MACALÉ - WALLY SAILORMOON)
3 - PAM PAM PAM (PAULO DA PORTELA)
4 - IMAGENS (VALZINHO - ORESTES BARBOSA)
5 - ANJO EXTERMINADO (JARDS MACALÉ - WALLY SAILORMOON )
6 - DONA DE CASTELO (JARDS MACALÉ - WALLY SAILORMOON)
Lado 2
1 - MAMBO DA CANTAREIRA (BARBOSA DA SILVA - ELOIDE WARTHON)
2 - E DAÍ ? ... (MIGUEL GUSTAVO)
3 - ORORA ANALFABETA (GORDURINHA - NASCIMENTO GOMES)
4 - SENHOR DOS SÁBADOS (JARDS MACALÉ - WALLY SAILORMOON)
5 - BONECA SEMIÓTICA (JARDS MACALÉ - ROGÉRIO DUARTE - DUDA - RICARDO CHACAL)

Marginália


"seja marginal, seja herói", com essa frase, Hélio Oiticica sintetizou uma série de trabalhos que ficaram conhecidos como marginália. A marginália ou "cultura marginal" , passou a fazer parte do debate cultural brasileiro a partir do final de 1968 , com duração até meados da década de setenta.


é nesse período que surgem o cinema marginal nos filmes pioneiros de Rogério Sganzerla e Ozualdo Candeias e a imprensa marginal em jornais e revistas como "O pasquim" , Flor do mal , Presença ou Bondinho. na literatura e na poesia , o tema da marginália é associado aos trabalhos de autores como José Agripino de Paula , Waly Salomão , Francisco Alvim , Gramiro de Matos , Torquato Neto, Charles ou Chacal . no campo musical , a idéia do artista marginal é substituída pelo rótulo do músico maldito , cujos principais nomes desse período foram , Jards Macalé, Sérgio Sampaio, Jorge Mautner, Luiz Melodia, Carlos Pinto e Lanny Gordin.


a Marginália teve origem nos trabalhos de uma série de artistas, principalmente naqueles ligados à formação do grupo intelectual reunido durante 1967 e 1968 a partir do tropicalismo. após a prisão e o exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil, nomes como Rogério Duarte, Torquato Neto, José Carlos Capinam, Hélio Oiticica, Waly Salomão e outros passam a apontar em seus textos e criações um caminho mais radical e transgressor para os dilemas culturais da época.


através de uma relação criativa entre a arte brasileira e o cotidiano social das grandes cidades, a marginália passa a incorporar em seus trabalhos uma série de elementos e representações da violência diária. seu intuito era propor uma crítica aos conservadorismos da sociedade.
após uma intensa produção no cinema, na imprensa, na música popular e na literatura, esse grupo se desfaz aos poucos na busca de caminhos individuais de trabalho e tem seu término “oficial” no suicídio de Torquato Neto em novembro de 1972.

obras de destaque relacionados à marginália

filmes
“Câncer” de Glauber Rocha (1968)
“A Margem” de Ozualdo Candeias (1967)
“O Bandido da Luz Vermelha” de Rogério Sganzerla (1968)

livros
"Me segura que eu vou dar um troço" de Waly Salomão (1972)
"Urubu-Rei" de Gramiro de Mattos (1972)

textos de:
Hélio Oiticica
Rogério Duarte
Décio Pignatari
Haroldo de Campos e Augusto de Campos
publicados em jornais alternativos como Flor Do Mal, Presença e O Verbo Encantado (todos de 1972), além das colunas publicadas por Torquato Neto no jornal Última Hora, com o título emblemático de “Geléia Geral” e o almanaque de exemplar único Navilouca (1973).